{"id":4142,"date":"2022-07-25T14:54:27","date_gmt":"2022-07-25T17:54:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.folhaviagem.com.br\/blogs\/?p=4142"},"modified":"2022-07-25T14:54:27","modified_gmt":"2022-07-25T17:54:27","slug":"conheca-a-historia-das-igrejas-de-natal-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.folhaviagem.com.br\/blogs\/conheca-a-historia-das-igrejas-de-natal-rn\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria das igrejas de Natal (RN)"},"content":{"rendered":"\n\n\t<p>A capital do Sol, como \u00e9 conhecida Natal, tem belas praias, passeios de bugue nas dunas e uma excelente gastronomia, principalmente no que se refere ao Camar\u00e3o &#8211; por isso quem nasce no Estado do Rio Grande do Norte \u00e9 chamado de Potiguar que vem da l\u00edngua ind\u00edgena tupi.\u00a0A palavra original poti&#8217;war significa &#8220;aquele que come camar\u00e3o&#8221;, crust\u00e1ceo encontrado com fartura no litoral do estado.<\/p>\n<p>Mas a capital do Rio Grande do Norte n\u00e3o conta apenas com o turismo de sol e mar e o turismo de lazer. Natal abriga e \u00e9 palco de um cen\u00e1rio que no s\u00e9culo XVII, na invas\u00e3o holandesa causou a pris\u00e3o do padre Ambr\u00f3sio Francisco Ferro. O mesmo foi o segundo P\u00e1roco da Igreja mais antiga da cidade, Igreja Matriz Nossa Senhora da Apresenta\u00e7\u00e3o, que foi erguida na mesma data da funda\u00e7\u00e3o da cidade, no ano de 1599.<\/p>\n<p>Relatos hist\u00f3ricos dizem que na invas\u00e3o holandesa, o padre Ambr\u00f3sio, por receio dos holandeses destru\u00edrem todo o acervo da Igreja, escondeu dentro da parede, um Ostens\u00f3rio <em>(objeto lit\u00fargico que leva em prociss\u00e3o a Santa H\u00f3stia, corpo e sangue de Jesus Cristo, para adora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is). <\/em><\/p>\n<p>O receio do padre Ambr\u00f3sio se concretizou: com o dom\u00ednio holand\u00eas no s\u00e9culo XVII a Igreja Matriz Nossa Senhora da Apresenta\u00e7\u00e3o se torna um templo Calvinista.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 1633 a 1654, os holandeses dominaram a capitania do Rio Grande. Naquela \u00e9poca Natal possu\u00eda apenas 40 casas. A Igreja Matriz Nossa Senhora da Apresenta\u00e7\u00e3o transformou-se em Templo Calvinista, a partir da pr\u00e9dica realizada pelo pregador Johanna em 18 de dezembro de 1633.<\/p>\n<p>Portugu\u00eas dos A\u00e7ores, Padre Ambr\u00f3sio foi P\u00e1roco de Natal, a partir de 1636. Refugiou-se na Fortaleza dos Reis Magos e de l\u00e1 foi levado para o mart\u00edrio de Urua\u00e7u, a 3 de outubro de 1645, juntamente com 80 fi\u00e9is de sua Par\u00f3quia. Ele \u00e9 um dos Santos M\u00e1rtires do Brasil, canonizado pelo Papa Francisco no ano de 2017<\/p>\n<p>No ano de 1654, os invasores flamengos forma expulsos da Capitania, mas destru\u00edram tudo o que puderam inclusive os livros de registros referentes a Igreja. (Fonte: Historiador Professor Anderson Tavares de Lyra).<\/p>\n<figure id=\"attachment_4145\" aria-describedby=\"caption-attachment-4145\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.folhaviagem.com.br\/blogs\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Ostensorio-escondido-pelo-Padre-Santo-Ambrosio-Francisco-Ferro-Foto-Igreja-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4145\" class=\"wp-caption-text\">Ostens\u00f3rio escondido pelo Padre Santo Ambr\u00f3sio Francisco Ferro &#8211; Foto Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste caso o \u00fanico registro hist\u00f3rico que a igreja possui \u00e9 o ostens\u00f3rio que foi escondido pelo Santo M\u00e1rtir Padre Ambr\u00f3sio Francisco Ferro.<\/p>\n<p>O objeto lit\u00fargico foi encontrado na d\u00e9cada de 90, precisamente no ano de 1994, quando a igreja passou por uma reforma para o resgate de sua hist\u00f3ria e mem\u00f3ria. A reforma foi solicitada e acompanhada pelo ent\u00e3o p\u00e1roco da \u00e9poca, Monsenhor Agnelo Dantas Barretto. Durante a reforma, pr\u00f3ximo \u00e0 pia batismal, foi encontrado escondido na parede o ostens\u00f3rio que data do s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p>Neste mesmo per\u00edodo tamb\u00e9m foi encontrado o corpo de Andr\u00e9 de Albuquerque Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 de Albuquerque Maranh\u00e3o, tamb\u00e9m conhecido como Andrezinho de Cunha\u00fa, nasceu no Engenho Cunha\u00fa, no atual munic\u00edpio de Canguaretama (RN). Seu pai tinha o mesmo nome, e sua m\u00e3e se chamava D. Ant\u00f4nia Josefa do Esp\u00edrito Santo Ribeiro; eram uma das\u00a0<strong>fam\u00edlias mais ilustres do Rio Grande do Norte.<\/strong><\/p>\n<p>Andr\u00e9 tinha um\u00a0<strong>pensamento revolucion\u00e1rio<\/strong>, comandava a Cavalaria que\u00a0<strong>guardava as fronteiras entre Rio Grande<\/strong>\u00a0e Para\u00edba, e simpatizava revolu\u00e7\u00f5es de liberta\u00e7\u00e3o da coroa.<\/p>\n<p>Em 28 de mar\u00e7o de 1817 juntamente com sua tropa, parentes e oficiais, ele chegou a cidade\u00a0<strong>e implantou um governo provis\u00f3rio<\/strong>. Esse acontecimento se chamou\u00a0<strong>&#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Republicana de 1817&#8221;<\/strong>, reflexo da Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana que eclodiu no dia 6 de mar\u00e7o, e ele foi o l\u00edder.<\/p>\n<p>Mas pouco tempo depois o comandante da tropa de linha Ant\u00f4nio Germano, e seus soldados, invadiram o pal\u00e1cio do governo aos gritos de &#8220;Viva o Senhor Dom Jo\u00e3o VI&#8221; e &#8220;Morra a Liberdade&#8221;, e encontram Andr\u00e9 de Albuquerque na mesa dos despachos. Ele negou sua rendi\u00e7\u00e3o, sofreu um golpe de espada em sua regi\u00e3o inguinal, e ainda teve os dedos cortados provavelmente por tentar segurar a espada.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o\u00a0<strong>jogado pela janela do pal\u00e1cio<\/strong>\u00a0<strong>e<\/strong>\u00a0<strong>preso sozinho em uma cela na Fortaleza dos Reis Magos<\/strong>. Sem qualquer assist\u00eancia m\u00e9dica, com ferimentos abertos e \u00f3rg\u00e3os dilacerados, sangrou at\u00e9 morrer.<\/p>\n<p>No dia seguinte, seu corpo foi retirado da fortaleza e<strong>\u00a0transportado totalmente sem roupa pela cidade<\/strong>. L\u00e1, o cad\u00e1ver\u00a0<strong>sofreu humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/strong>\u00a0at\u00e9 ser sepultado na\u00a0<a href=\"https:\/\/curiozzzo.com\/2017\/12\/20\/esta-foi-a-primeira-igreja-do-rn-e-aqui-estao-7-curiosidades-sobre-ela\/\">Igreja Matriz de Natal<\/a>, ou Igreja de Nossa Senhora de Apresenta\u00e7\u00e3o, a primeira igreja do Rio Grande do Norte, e marco zero da cidade.<\/p>\n<p>Hoje a pra\u00e7a onde se encontra a Igreja Matriz ganhou o nome dele. Nesta mesma pra\u00e7a tamb\u00e9m h\u00e1 um monumento em homenagem a ele e ao Padre Miguelinho. (fonte: <a href=\"https:\/\/curiozzzo.com\/foto-rara-dos-ossos-andre-de-albuquerque\/\">https:\/\/curiozzzo.com\/foto-rara-dos-ossos-andre-de-albuquerque\/<\/a>)<\/p>\n<p>Sobre o corpo de Andr\u00e9 de Albuquerque, o historiador C\u00e2mara Cascudo j\u00e1 dizia que se encontrava sepultado na Igreja Matriz Nossa Senhora da Apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano da reforma da igreja, nas escava\u00e7\u00f5es realizadas por profissionais t\u00e9cnicos, foi encontrado na nave esquerda da igreja o t\u00famulo com um esqueleto acorrentado, desta forma foi constatado ser os restos mortais de Andr\u00e9 de Albuquerque Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Com esta grande for\u00e7a hist\u00f3rica e religiosa a Secretaria de Turismo de Natal elaborou o roteiro hist\u00f3rico e sagrado, onde no centro hist\u00f3rico da cidade est\u00e3o presentes as tr\u00eas primeiras igrejas.<\/p>\n<p><strong>Igreja Matriz Nossa Senhora da Apresenta\u00e7\u00e3o, fundada no ano de 1599<\/strong><\/p>\n<p>Esta igreja cat\u00f3lica \u00e9 dedicada \u00e0 padroeira da capital potiguar, Nossa Senhora da Apresenta\u00e7\u00e3o, e \u00e9 a primeira igreja do Rio Grande do Norte, apesar de n\u00e3o ser a primeira capela, j\u00e1 que temos a capela dos Reis Magos na Fortaleza. Originalmente foi uma capela de barro e palha, e n\u00e3o possu\u00eda portas at\u00e9 1614. Sua constru\u00e7\u00e3o se deu com a funda\u00e7\u00e3o da cidade. N\u00e3o temos a data de funda\u00e7\u00e3o da freguesia, sabemos, no entanto, o nome do primeiro vig\u00e1rio, Gaspar Gon\u00e7alves da Rocha, que a recebia em 1601. Foi finalizada somente em 1619. Quando os holandeses invadiram, eles a tornaram um templo luterano com o pastor Johanna e quando abandonaram a capital, em 1654, destru\u00edram a igreja. Depois do retorno portugu\u00eas, ela foi recuperada dos estragos pelos colonos, mas ningu\u00e9m queria ser p\u00e1roco de um lugarejo com vinte e cinco moradores brancos, cercados pela ferocidade dos brasis, os padres Leonardo Tavares de Melo e Paulo da Costa Barros foram os \u00fanicos que se ofereceram.<\/p>\n<p>Tavares de Lira comenta sobre a reforma de amplia\u00e7\u00e3o: em 1694, a capela se torna igreja, at\u00e9 ao rei de portugal se pediu esmolas para levantar as paredes de pedra; em 1786 uma remodela\u00e7\u00e3o geral, j\u00e1 que ela ru\u00edra, recebendo seu batist\u00e9rio e s\u00e3o constru\u00eddas as capelas laterais para as irmandades de Bom Jesus dos Passos e do Sant\u00edssimo Sacramento. Em 1856, os mortos s\u00e3o proibidos de serem enterrados em seus corredores, e no mesmo ano sua torre ganha um rel\u00f3gio. Somente em 1862 sua atual edifica\u00e7\u00e3o foi completada com a constru\u00e7\u00e3o da torre do sino. Em 1871, ela ganha seu assoalho de madeira, aproveitando o tabuado de um naufr\u00e1gio. Mas as modifica\u00e7\u00f5es mais importantes foram feitas sob o comando do padre Jo\u00e3o Maria, que foi p\u00e1roco da igreja entre 1881 e 1905. S\u00e3o desse per\u00edodo as arcadas, tribunas, p\u00falpito, coro e ladrilhos.<\/p>\n<p>Em 1994 um processo de restaura\u00e7\u00e3o coordenado pelo Monsenhor \u00c2ngelo Dantas Barreto e pelo arque\u00f3logo Paulo Tadeu Souza de Albuquerque foi executado. Elementos acrescentados ao pr\u00e9dio no s\u00e9culo XIX foram removidos e se preferiu manter em evid\u00eancia os diversos planos e constru\u00e7\u00f5es pelo qual a igreja passou, sem preferir nenhum momento hist\u00f3rico espec\u00edfico. Segundo o historiador Itamar de Souza:<\/p>\n<p>&#8220;Toda a restaura\u00e7\u00e3o (&#8230;) custou R$ 345 mil reais. Com exce\u00e7\u00e3o de 10 mil reais doados pela Prefeitura Municipal de Natal, de 20 mil doados indiretamente pelo Governo do Estado e 10 mil reais concedidos pelo Unibanco, todo o restante dos recursos foi arrecadado entre os fi\u00e9is paroquianos (&#8230;)&#8221;(Fonte: Site Natal das Antigas)<\/p>\n<p><strong>Igreja Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos ano 1713\/1714<\/strong><\/p>\n<p>Na Igreja Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos, \u00e9 preservada a Missa Tridentina (celebra\u00e7\u00e3o rezada em latim), aos s\u00e1bados as 17h00, e nos domingos as 08h00 e 09h30.<\/p>\n<p>A Igreja do Ros\u00e1rio dos Pretos foi constru\u00edda pelos negros, para poderem rezar e participar da Santa Missa.<\/p>\n<p>Um h\u00e1bito colonial era que todo fiel cat\u00f3lico participasse de uma irmandade. As irmandades leigas (ou seja, formadas por pessoas que n\u00e3o eram sacerdotes cat\u00f3licos, como padres, freis ou monges), tamb\u00e9m conhecidas como Ordens Terceiras, eram compostas por pessoas de um mesmo grupo social, ent\u00e3o os ricos donos de engenhos participavam de uma irmandade exclusiva, enquanto os homens brancos mais pobres participavam de sua pr\u00f3pria irmandade e os escravos negros participavam de sua pr\u00f3pria confraria. Cada uma dessas era dedicada \u00e0 devo\u00e7\u00e3o de um santo cat\u00f3lico e se prestavam a ajuda m\u00fatua de seus filiados, realizando obras de caridade, mas, sobretudo garantindo que os membros tivessem a realiza\u00e7\u00e3o de seus ritos mortu\u00e1rios. Como diz Xirley dos Santos, &#8220;o fato de pertencerem a uma irmandade afastava a possibilidade de que seus cad\u00e1veres fossem jogados an\u00f4nimos em valas comuns no exterior da igreja&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A partir da contribui\u00e7\u00e3o anual de cada irm\u00e3o, e com um caixa comum, quando morria um irm\u00e3o ou irm\u00e3, a confraria tinha como custear as despesas para que fossem rezadas missas e ter\u00e7os, com cortejo f\u00fanebre apropriado onde os demais irm\u00e3os usavam opas e ins\u00edgnias, e acompanhavam o morto at\u00e9 a sepultura patrocinada pela irmandade no interior das ermidas. Quanto mais alto o lugar ocupado pelo morto entre irm\u00e3os, mais cheios de regalias era o servi\u00e7o funer\u00e1rio&#8221; (SANTOS, X.).<\/p>\n<p>Uma das irmandades que encontramos aqui no Rio Grande, em seu per\u00edodo colonial, \u00e9 a irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos, uma irmandade de escravos. Mas n\u00e3o era \u00fanica (falaremos sobre as outras em outro momento). A primeira irmandade de escravos surgiu em Lisboa, em 1460, na igreja do convento de S\u00e3o Domingo, em que havia uma irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio que foi paulatinamente sendo ocupada por homens negros. \u00c9 assim que a tradi\u00e7\u00e3o de irmandades negras devotas a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio se inicia. Por\u00e9m era bem comum tamb\u00e9m que as confrarias entre escravos e libertos cultuassem santos negros como Santo Elesb\u00e3o, Santa Ifig\u00eania, Santo Ant\u00f4nio de Cartagena e S\u00e3o Benedito de Palermo.<\/p>\n<p>No Brasil a primeira irmandade de escravos, tamb\u00e9m em honra a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, \u00e9 de 1552, em Goiana, Pernambuco. Elas passaram a ser estimuladas pelos jesu\u00edtas em seu esfor\u00e7o de catequiza\u00e7\u00e3o dos negros africanos. N\u00e3o temos a data de funda\u00e7\u00e3o da irmandade em Natal (em Caic\u00f3 ela \u00e9 fundada em 1771), por\u00e9m a documenta\u00e7\u00e3o atesta que desde 1706 a confraria j\u00e1 fazia festas para recolher doa\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de sua igreja.<\/p>\n<p>A Igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos foi levantada em 1714. A constru\u00e7\u00e3o pode ser caracterizada como um rococ\u00f3 tardio, j\u00e1 absorvendo as cr\u00edticas do neocl\u00e1ssico dos setecentos ao exagero barroco. Por\u00e9m sua vers\u00e3o atual \u00e9 bem distinta daquela que foi constru\u00edda pelos escravos originalmente. A ala lateral, junto com a capela de Bom Jesus do Mart\u00edrio s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es de 1844, a sacristia e a torre foram adicionadas em 1904. In\u00fameras camadas temporais est\u00e3o expostas neste monumento.<\/p>\n<p>Uma visita a esta Igreja n\u00e3o \u00e9 completa sem voc\u00ea admirar, de dia, a vista do mirante do Cruzeiro, que fica logo em frente. A igreja tem uma das vistas do rio Potengi mais bonitas da cidade, principalmente para se admirar ao p\u00f4r-do-sol. (Fonte: Site Natal das Antigas)<\/p>\n<p><strong>Igreja e Convento de Santo Ant\u00f4nio<\/strong><\/p>\n<p>E a terceira \u00e9 a Igreja e Convento de Santo Ant\u00f4nio, que tem administra\u00e7\u00e3o dos Frades Capuchinhos da Ordem Menor, fundada no ano de 1766. A Igreja \u00e9 em estilo barroco rococ\u00f3 e abriga em sua lateral o museu de arte sacra.<\/p>\n<p>A mais bem conservada igreja barroca, mas n\u00e3o a \u00fanica, \u00e9 a Igreja de Santo Ant\u00f4nio constru\u00edda em 1766. Mas, primeiro, o que \u00e9 barroco mesmo? A palavra vem do italiano e definia, l\u00e1 no s\u00e9culo XVII, uma p\u00e9rola mal formada, de formato &#8220;caprichoso&#8221;. Na hist\u00f3ria da arte, ele \u00e9 um estilo art\u00edstico, sobretudo arquitet\u00f4nico, que se difundiu nos pa\u00edses cat\u00f3licos no s\u00e9culo XVII, tendo sua maior express\u00e3o nas na\u00e7\u00f5es ib\u00e9ricas, Espanha e Portugal. Obviamente se estava na moda na corte, \u00e9 claro que tamb\u00e9m estaria na moda na col\u00f4nia. Portanto, a arte colonial brasileira \u00e9 basicamente influenciada pelo gosto ib\u00e9rico pelo barroco.<\/p>\n<p>Nas cidades mais ricas, como Olinda, Recife e Salvador, e mesmo em vilas como Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, grandes artistas criaram obras de arte espetaculares. Mas em cidades menores, como Natal, as igrejas, apesar de apresentarem os tra\u00e7ados barrocos, exibiram talhas modestas, por causa do fluxo de artistas menos habilidosos e\/ou experientes. Isto acontece porque a capital potiguar at\u00e9 o s\u00e9culo XIX (no ciclo do algod\u00e3o) nunca teve uma elite muito rica que pudesse investir muito no embelezamento de seus templos. Contudo, ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, isso n\u00e3o reduz de maneira alguma a import\u00e2ncia arquitet\u00f4nica da Igreja de Santo Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p>Terminada em agosto de 1766, ela j\u00e1 pode ser considerada de um Barroco Tardio, mas apresenta caracter\u00edsticas barrocas como uma \u00fanica torre que termina em forma de guarita (constru\u00edda em 1799); o front\u00e3o, a parte que fica acima da fachada principal, ricamente decorado; o arremate da fachada em forma de volutas; o uso de pin\u00e1culos e o altar principal revestido por madeira esculpida.<\/p>\n<p>O barroco tardio se caracteriza pelo uso de mais espa\u00e7os vazios entre as esculturas decorativas dos pr\u00e9dios, causando, nas igrejas, uma sensa\u00e7\u00e3o de menor opress\u00e3o do que o barroco cl\u00e1ssico imprime. Em termos pr\u00e1ticos isto quer dizer que ao contr\u00e1rio do Barroco cl\u00e1ssico, apesar da presen\u00e7a ainda de volutas e do front\u00e3o decorado, a presen\u00e7a de espa\u00e7os vazios \u00e9 bem mais comum na decora\u00e7\u00e3o, seja na sua fachada, seja na sua decora\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>A decora\u00e7\u00e3o interna da igreja segue tamb\u00e9m os elementos do barroco tardio. Ela possui dois altares laterais esculpidos em madeira e mais um central e possu\u00eda o teto decorado com imagens de Nossa Senhora e do seu santo patrono, Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua. O teto, por causa da m\u00e1 conserva\u00e7\u00e3o, teve seus ret\u00e1bulos (quadros pintados) retirados e dispostos nas paredes do Museu de Arte Sacra que, no entanto, n\u00e3o tem caracter\u00edsticas barrocas, porque foi pintado pelo menos cinquenta anos ap\u00f3s a finaliza\u00e7\u00e3o da igreja.<\/p>\n<p>Os altares s\u00e3o esculpidos em madeira, sem aplica\u00e7\u00f5es de metal, nem policromia, decorados com as tradicionais folhas de acanto. O simbolismo da folha de acanto, uma erva mediterr\u00e2nea,\u00a0\u00e9 de que as prova\u00e7\u00f5es da vida e da morte haviam sido vencidas, por causa dos espinhos que a planta possu\u00ed, mas tamb\u00e9m \u00e9 o s\u00edmbolo da terra virgem e, por extens\u00e3o, tamb\u00e9m da pr\u00f3pria virgindade e da vit\u00f3ria sobre o pecado da carne. Ela\u00a0aparece nas decora\u00e7\u00f5es de templos e pal\u00e1cios desde a Antiguidade e Idade M\u00e9dia, mas tamb\u00e9m em armaduras, porque os her\u00f3is e arquitetos tamb\u00e9m eram homens que venciam os desafios durante a vida, tamb\u00e9m apareciam em t\u00famulos por causa da ideia de vencer a morte a partir da vida eterna e, nas igrejas, representando a vit\u00f3ria sobre a carne.<\/p>\n<p>Segundo C\u00e2mara Cascudo, o capit\u00e3o-mor Caetano da Silva Sanches, governador da capitania de 1791 a 1800, foi quem mais trabalhou para a igreja ser conclu\u00edda com a ere\u00e7\u00e3o de sua torre. Teria sido ele quem doou o galo de bronze que rebatizou popularmente a igreja com o nome de Igreja do Galo.<\/p>\n<p>Ela ainda possu\u00ed um anexo, que hoje serve de convento (desde 1946), mas j\u00e1 teve uma fun\u00e7\u00e3o bem mais mundana. Este anexo serviu de base para os militares da cidade, da\u00ed seu nome original, Santo Ant\u00f4nio dos Militares. Ela servia sobretudo de alojamento at\u00e9 1836. Inclusive era onde a companhia de pol\u00edcia ficava aquartelada, como nos informa Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, em seu Hist\u00f3ria da Cidade do Natal.<\/p>\n<p>Quando os policiais deixaram a igreja, se instalou o Col\u00e9gio Diocesano Santo Ant\u00f4nio, coordenado pelos frades capuchinhos Cipriano de Ponteccio e Dami\u00e3o de Bozzano. Por\u00e9m o pr\u00e9dio atual (do anexo) n\u00e3o \u00e9 o original. Informa Itamar de Souza que em 1946 todo o pr\u00e9dio original fora demolido e reerguido j\u00e1 para abrigar o futuro convento. O pr\u00e9dio atual foi inaugurado em 1\u00ba de fevereiro de 1948, com prociss\u00e3o de velas e discurso e b\u00ean\u00e7\u00e3os de Dom Marcolino Dantas. (Fonte: Site Natal das Antigas)<\/p>\n<p>Foto destaque por: Canind\u00e9 Soares<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capital do Sol, como &eacute; conhecida Natal, tem belas praias, passeios de bugue nas dunas e uma excelente gastronomia, principalmente no que se refere ao Camar&atilde;o &ndash; por isso quem nasce no Estado do Rio Grande do Norte &eacute; chamado de Potiguar que vem da l&iacute;ngua ind&iacute;gena tupi.&nbsp;A palavra original poti&rsquo;war significa &ldquo;aquele que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4143,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-4142","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-informativo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ 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