A cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, é reconhecida nacional e internacionalmente pelo seu modelo de ecoturismo. Com cerca de 40 atrativos cadastrados e mais de 90 atividades turísticas, o município desenvolveu um sistema de gestão integrado que alia tecnologia, atendimento humanizado e rígidos critérios ambientais. A atuação das agências de turismo é central nesse modelo, funcionando como elo entre os atrativos naturais e os visitantes.
As agências locais operam por meio de um sistema informatizado que regula a emissão de vouchers, controla o número de visitantes por atrativo e assegura preços padronizados. Além de garantir a sustentabilidade ambiental, esse controle logístico reduz conflitos entre operadores e proporciona ao visitante uma experiência mais fluida e segura. Esse modelo evita a sobrecarga dos atrativos e contribui para a preservação dos recursos naturais da região.
Outro aspecto relevante é o papel consultivo das agências na construção de roteiros personalizados. Diante da variedade de atividades disponíveis e das condições variáveis, como clima e tempo de deslocamento, as agências orientam o visitante na escolha de experiências compatíveis com seu perfil, orçamento e tempo disponível. O atendimento também inclui readequações em tempo real caso ocorram imprevistos, como alterações climáticas que inviabilizem determinadas atividades.
Em 2025, o município deu mais um passo em direção à inovação com o lançamento do projeto Destino Turístico Inteligente (DTI). A iniciativa, coordenada pela Secretaria Municipal de Turismo em parceria com o Sebrae/MS e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), envolve a criação de uma plataforma digital com atendimento inicial por inteligência artificial. Essa ferramenta foi desenvolvida para oferecer respostas práticas às dúvidas dos visitantes antes da chegada à cidade.
Após esse atendimento automatizado, o turista pode ser direcionado a um concierge presencial em Bonito, que complementa a experiência com informações detalhadas, recomendações de passeios e orientações logísticas. Essa integração entre tecnologia e atendimento humanizado pretende otimizar o tempo do visitante e aumentar sua satisfação, mantendo os princípios de sustentabilidade ambiental que regem o destino.
A cidade também se destaca por ações voltadas à neutralização de emissões de carbono, reaproveitamento de resíduos sólidos e incentivo à participação ativa do visitante na conservação ambiental, por meio de ações como o plantio de árvores. Bonito foi o primeiro destino de ecoturismo a alcançar a neutralidade de carbono, além de ser pioneiro na mensuração precisa da visitação por atrativo, o que permite uma gestão mais eficiente e transparente do turismo local.
Essas iniciativas consolidam Bonito como um destino inteligente e sustentável. O alinhamento entre setor público, agências de turismo, operadores de atrativos e comunidade é o principal fator de sucesso do modelo. A cidade demonstra que é possível equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, oferecendo experiências turísticas organizadas, seguras e adaptadas às novas demandas do setor.
O exemplo de Bonito contribui para o debate sobre o futuro do turismo e sua relação com o meio ambiente, mostrando caminhos viáveis para destinos que desejam crescer sem abrir mão da conservação dos seus recursos naturais.
Imagem de Hudson Garcia

